Programa de Gerenciamento de Riscos · NR-1 · NR-17 · LGPD

Programa de
Gerenciamento
de Riscos

EmpresaClínica Superação LTDA
Versão1.0
ClassificaçãoDocumento Privativo
Próxima RevisãoAnual

Capítulo 1
Identificação da Empresa
Razão Social
Clínica Superação LTDA
Atividade Principal
Atendimento clínico ambulatorial seriado em psicologia e terapias correlatas
Modalidades
Presencial e remoto
Público Abrangido
Colaboradores administrativos, terapeutas, coordenação e direção
Base Legal
NR-1 (Portaria MTE nº 1.419/2024), NR-17, Lei nº 13.709/2018 (LGPD) e Códigos de Ética dos conselhos profissionais aplicáveis

Capítulo 2
Objetivo

O presente Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) tem por objetivo identificar, avaliar, controlar e monitorar os riscos ocupacionais inerentes às atividades da Clínica Superação, garantindo ambiente de trabalho seguro, saudável e eticamente sustentável para todos os profissionais.

O PGR considera o perfil específico da Clínica:

  • Iatendimentos clínicos ambulatoriais seriados a crianças e adolescentes;
  • IIequipe multiprofissional com distintos vínculos contratuais;
  • IIIrotina administrativa digitalizada e integrada ao sistema de gestão;
  • IVatendimento presencial e remoto em ambiente regulado;
  • Vriscos psicossociais decorrentes da natureza relacional do trabalho clínico e administrativo;
  • VIobrigações de proteção de dados pessoais e sensíveis (LGPD).

Capítulo 3
Metodologia

O PGR foi estruturado com base na seguinte sequência metodológica:

  • Iidentificação dos perigos e situações de risco;
  • IIavaliação da probabilidade de ocorrência e da severidade do dano potencial;
  • IIIclassificação do nível de risco resultante;
  • IVdefinição de medidas preventivas e corretivas hierarquizadas;
  • Vmonitoramento contínuo e revisão periódica.
Escala de Classificação de Risco
Controlado
Probabilidade baixa
Severidade leve
Recuperação imediata
Atenção
Probabilidade média
Severidade moderada
Afastamento temporário
Crítico
Probabilidade alta
Severidade grave
Dano permanente ou sistêmico
Riscos psicossociais foram classificados como Prioridade Alta em razão de sua capacidade de gerar adoecimento cumulativo, invisível e de difícil reversão.

Capítulo 4
Inventário de Riscos
4.1 Riscos Ergonômicos

Os riscos ergonômicos decorrem principalmente de duas fontes: trabalho clínico prolongado com postura estática e mobilização de pacientes; e trabalho administrativo contínuo em tela. Ambos estão sujeitos às diretrizes da NR-17.

4.1.1 Trabalho Clínico – Ciclo de Atendimento

A estrutura de sessões segue ciclos de 30 ou 40 minutos. O modelo abaixo equilibra qualidade assistencial e prevenção ergonômica, em conformidade com NR-1 e NR-17.

Ciclo de 30 Minutos [25 + 5]
Tempo Etapa Recomendação Ergonômica
00 – 25 min Atendimento Postura
Ajuste o mocho para manter o olhar horizontal. Evite flexão excessiva da cervical. Alterne entre sentado e em pé quando possível.
25 – 28 min Feedback Cognitivo
Mantenha contato visual com os pais. Relaxe a musculatura das mãos e dos ombros.
28 – 29 min Registro Circulação
Atualize o prontuário de pé ou por comando de voz. A atualização gera automaticamente o feedback sistêmico aos responsáveis.
29 – 30 min Pausa & Setup Recuperação
Extensões de punho, alongamento de ombros, 200ml de água. Três respirações profundas antes do próximo chamado.
Ciclo de 40 Minutos [35 + 5]
Tempo Etapa Recomendação Ergonômica
00 – 35 min Atendimento Postura
Ajuste o mocho para manter o olhar horizontal. Evite flexão excessiva da cervical. Alterne entre sentado e em pé quando possível.
35 – 38 min Feedback & Registro Cognitivo
Atualize o prontuário de pé ou por comando de voz. A atualização gera automaticamente o feedback sistêmico aos responsáveis.
38 – 39 min Pausa Ativa Recuperação
Higienize as mãos com água fria. Extensões de punho, alongamento de ombros, 200ml de água.
39 – 40 min Setup Mindset
Organize o ambiente. Três respirações profundas antes do próximo chamado.
Alongamentos entre Sessões (15 segundos cada)
  • I“V de Vitória” – de pé, estique os braços para cima e para trás, abrindo o peito. Compensa a postura curvada no atendimento a crianças.
  • II“Oração Invertida” – junte as palmas atrás das costas ou force suavemente os dedos para baixo na mesa, alongando os flexores do punho.
  • III“Soltura de Pescoço” – queixo no peito, semicírculo suave de um ombro ao outro.

Medidas complementares: sinalização visual no monitor como lembrete de postura e hidratação; tapete antifadiga em locais de permanência prolongada em pé.

Nenhuma das medidas ergonômicas listadas justifica redução na qualidade da intervenção clínica ou da documentação do atendimento.
4.1.2 Trabalho Administrativo em Tela

Medidas de controle:

  • Iajuste de altura do monitor para alinhamento com o olhar horizontal;
  • IIpausas de no mínimo 5 minutos a cada 50 minutos de uso contínuo;
  • IIIuso de suporte ergonômico para punhos durante digitação.
4.2 Riscos Psicossociais

Os riscos psicossociais constituem o eixo central de gerenciamento da Clínica Superação. Todos os riscos desta categoria são classificados como Prioridade Alta.

Risco Identificado Probabilidade Severidade Nível
Violência comunicacional externa (linguagem agressiva, desqualificação institucional, pressão emocional) Alta Moderada Crítico
Pressão para flexibilização informal de protocolos por pacientes, responsáveis ou terapeutas Alta Grave Crítico
Conflito hierárquico interno (descumprimento de fluxos por superiores ou pares) Média Grave Crítico
Uso indevido da política de proteção institucional (simulação de constrangimento, recusa infundada) Média Moderada Atenção
Sobrecarga emocional clínica (casos complexos, sofrimento psíquico, conflitos familiares) Alta Moderada Crítico
4.2.1 Violência Comunicacional Externa

Medidas de controle:

  • Ipolítica formal de tolerância zero, com registro obrigatório de ocorrência;
  • IIfluxo institucional de resposta com encaminhamento à coordenação;
  • IIIrestrição ou bloqueio de canais de comunicação em caso de reincidência.
4.2.2 Pressão para Flexibilização de Protocolos

Medidas de controle:

  • Iproibição formal de exceções informais, conforme Regimento Interno;
  • IIencaminhamento obrigatório à Direção para qualquer solicitação fora do protocolo;
  • IIIregistro institucional de ocorrência como instrumento de rastreabilidade.
4.2.3 Conflito Hierárquico Interno

Medidas de controle:

  • Iformalização de exceções exclusivamente pela Direção, com justificativa técnica documentada;
  • IIcanal interno seguro para relato de pressão hierárquica indevida;
  • IIItermo de ciência assinado pela equipe sobre os limites do poder diretivo.
4.2.4 Uso Indevido da Proteção Institucional

Medidas de controle:

  • Iobrigatoriedade de formalização escrita da alegação, com indicação da norma supostamente violada;
  • IIavaliação técnica individualizada pela Direção;
  • IIImedidas disciplinares proporcionais, conforme Regimento Interno.
4.2.5 Sobrecarga Emocional Clínica

Medidas de controle:

  • Ireuniões técnicas periódicas de equipe;
  • IIacesso a supervisão clínica;
  • IIIdistribuição equilibrada de casos entre os profissionais.
4.3 Riscos Organizacionais
Risco Identificado Probabilidade Severidade Nível
Falha de agenda e descontinuidade terapêutica por desmarcação informal ou ausência de confirmação Média Moderada Atenção
Exposição indevida de dados pessoais e sensíveis (LGPD) Média Grave Crítico
4.3.1 Falhas de Agenda

Medidas de controle:

  • Idesmarcações somente pelo canal oficial do sistema;
  • IIpolítica escrita de agendamento com registro eletrônico obrigatório;
  • IIIvedação expressa a desmarcações por qualquer meio externo ao sistema.
4.3.2 Exposição Indevida de Dados (LGPD)

Medidas de controle:

  • Irestrição de acesso por login individual e perfil de usuário;
  • IIreporte imediato ao DPO em caso de suspeita de vazamento;
  • IIIvedação ao armazenamento de dados em dispositivos pessoais ou domínios externos.
4.4 Riscos Físicos
Risco Identificado Probabilidade Severidade Nível
Queda em área molhada ou com piso irregular Baixa Moderada Controlado
Choque elétrico por equipamentos com manutenção deficiente Baixa Grave Atenção
Incêndio Baixa Grave Atenção

Medidas de controle:

  • Isinalização adequada de áreas de risco e pisos molhados;
  • IImanutenção elétrica preventiva periódica;
  • IIIextintores revisados anualmente e equipe orientada sobre uso;
  • IVcomunicação imediata à gestão de qualquer risco ambiental identificado.

Capítulo 5
Plano de Ação Contínuo
Ação Responsável Periodicidade
Revisão completa do PGR Direção Anual
Atualização após incidente relevante Direção + Coord. Técnica Imediata
Treinamento da equipe sobre riscos e protocolos RH / Coordenação Anual
Registro formal de ocorrências psicossociais Recepção / Coord. Contínuo
Auditoria interna de conformidade Direção Semestral
Supervisão clínica da equipe terapêutica Coord. Técnica Mensal

Capítulo 6
Responsabilidades
Direção
  • Garantir a implementação e atualização do PGR
  • Formalizar exceções com justificativa técnica documentada
  • Proteger colaboradores de pressões indevidas
  • Apurar ocorrências e aplicar medidas proporcionais
Coordenação Técnica
  • Monitorar riscos psicossociais clínicos
  • Conduzir supervisões de equipe
  • Comunicar incidentes à Direção
  • Distribuir casos de forma equilibrada
Colaboradores
  • Cumprir protocolos do Regimento Interno e deste PGR
  • Comunicar riscos pelos canais oficiais
  • Não utilizar a política de proteção de forma indevida
Pacientes e Responsáveis
  • Respeitar as normas institucionais
  • Não pressionar profissionais para flexibilizações informais
  • Manter comunicação pelos canais oficiais

Capítulo 7
Monitoramento e Indicadores
Indicador Meta Revisão
Ocorrências de comunicação hostil registradas Redução progressiva Mensal
Tentativas de flexibilização informal de protocolos Zero não registradas Mensal
Advertências disciplinares emitidas Acompanhamento de tendência Trimestral
Afastamentos por estresse ou adoecimento psicossocial Zero evitáveis Semestral
Rotatividade da equipe Abaixo da média do setor Semestral
Incidentes de proteção de dados (LGPD) Zero não reportados Contínuo

Capítulo 8
Cláusula de Cumprimento de Protocolos e Gestão de Riscos
Art. 1ºDo Dever de Cumprimento

A Clínica Superação adota protocolos técnicos, administrativos e assistenciais fundamentados em evidências científicas, normativas sanitárias, diretrizes éticas profissionais e legislação vigente, com o objetivo de assegurar qualidade assistencial, segurança do paciente, conformidade regulatória e mitigação de riscos institucionais.

Parágrafo único. O cumprimento integral do Regimento Interno, dos protocolos clínicos e dos fluxos operacionais constitui dever funcional de todos os colaboradores, franqueados, terapeutas e membros da equipe administrativa, independentemente do vínculo contratual.

Art. 2ºDa Legitimidade das Medidas de Gestão

A solicitação de alinhamento às normas internas, a exigência de regularização de condutas e a emissão de orientações corretivas, advertências ou demais medidas administrativas proporcionais ao descumprimento de protocolos:

  • Inão configuram prática abusiva;
  • IInão caracterizam assédio moral;
  • IIInão constituem fator de risco psicossocial institucional;
  • IVintegram o exercício regular do poder diretivo e do dever de gestão técnica da instituição.

Parágrafo único. A eventual percepção subjetiva de desconforto diante da obrigatoriedade de cumprimento de normas institucionais não descaracteriza a legitimidade das medidas adotadas, desde que estas observem os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, impessoalidade e finalidade institucional.

Art. 3ºDa Diferenciação entre Gestão Técnica e Assédio Moral

Não configura assédio moral a cobrança objetiva de cumprimento de protocolos, metas técnicas, prazos ou padrões de qualidade previamente formalizados, quando realizada de maneira impessoal, fundamentada e proporcional.

Parágrafo único. Configura desvio grave, sujeito a apuração disciplinar, a conduta reiterada de exposição vexatória, humilhação pessoal, perseguição ou tratamento discriminatório, situações expressamente vedadas pela Clínica.

Art. 4ºDa Vedação à Flexibilização Informal

Qualquer flexibilização de protocolo depende de autorização formal da Direção Técnica ou instância competente, mediante justificativa técnica documentada. A flexibilização informal ou não autorizada constitui infração administrativa e será registrada e apurada.

Capítulo 9
Disposições Finais

Este Programa de Gerenciamento de Riscos integra a política institucional da Clínica Superação, complementa o Regimento Interno e tem caráter obrigatório, vinculando direção, colaboradores e usuários do serviço.

O PGR será revisado anualmente ou sempre que houver incidente relevante, alteração normativa aplicável ou mudança significativa nos processos internos da Clínica.

Este PGR reconhece o risco psicossocial como bilateral — protege o colaborador contra constrangimentos externos e a instituição contra condutas que gerem instabilidade ou descumprimento de protocolos. Proteger pessoas e proteger processos são objetivos inseparáveis.
Elyssa Dias Macedo
Responsável pela Franquia

Robson Monteiro
Responsável pela Franquia

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